Mas calma, que este texto não pretende te transformar num(a)..
Nem me colocar como mais ou menos apaixonado que você.. Corinthiano(a) ou não..
Apenas versar a respeito de algumas movimentações, pessoais e coletivas, motivadas e proporcionadas por essa paixão.
Sempre
gostei, e continuo de uma boa e saudável discussão a respeito de
futebol..
Principalmente
as fervorosas.. Mas sem desrespeito..Talvez por enxergar na outra pessoa essa mesma paixão, apesar de que com outras cores..
Felizmente
fui educado com valores que considero essenciais, apesar, de na
prática, presenciar distorções, esquecimentos ou mesmo ignorância
a respeito.. Essencialmente, o respeito..
Tá
bom, confesso.. Desrespeito muitas mães e pessoas ao acompanhar meus
jogos..
Mas
nada pessoal.. apenas desabafos da minha própria incapacidade de,
ativamente, alterar algo que julgue de insatisfatório (injusto) com
meu amor..
Como
disse, não nasci assim, fui educado..
'festa, mas olhar desinteressado'
Sim, um destes acima sou eu, nascido que fui em berço tricolor..
Na
minha leitura, (interessada, óbvio) demonstra é minha
incompatibilidade, incompreensão, falta de tesão, por aquele
sentimento que me tentaram (fazer) incorporar..
Meu outro avô era Corinthiano.. mas
apesar da admiração a ele, não foi o cupido..
Na
minha visão, o grande culpado seria o Netão, primo de meu pai e tio
por opção..
Responsável
por um dos bares do Estádio Municipal de Sorocaba, CIC, passava em
casa nos finais de semana para pegar eu e meus irmãos, e nos levar
para acompanhá-lo..
Atendendo
à antiga 'turma do amendoim', dava muitas risadas com suas
'intervenções'..
Falta-me
pesquisa sobre o ano exato disso.. só
sei que era algo em torno de
88 a 91..
Mas
me resta lembranças do Azulão na elite paulista.. como do
Brasileirão de 90..Em que já vibrava com as cores de hoje, preto e branco..
E ironicamente a final seria entre o que não me encantava e o que me seduzia..

'olhar interessado, em festa'
Daí
começam outras lembranças, tão significativas quanto, além
de mais vivas..
Nem precisaria lembrar que os anos seguintes foram de testamentos, né..
Enquanto minha (majestosa) casa explodia de felicidade com suas conquistas..
Torcia contra, sim, e muito.. Mas conseguia, depois de vencido, ficar feliz..
Não pela conquista, mas pela felicidade alheia..
Era
1993, e enfim ia pela primeira vez num estádio ver o Corinthians..
Um
amigo de meu pai, sabedor da oposição que fazia em casa, resolveu
ajudar..Não podia ser diferente.. contra a paixão de minha casa, na nossa casa, o Paca..
E como a Corinthianidade deve sempre ser testada, foi daquele jeito..
Goleiro expulso e atacante tentando fazer milagres em seu próprio gol..
Partida perdida, mas a sensação de que aquilo me agradava mesmo..
Em
1995, então,
fim de
meu primeiro período de desafios.. pela opção de reptar, amar..
Vêm
os títulos, reconhecimentos e toda essas concretizações que
esperamos ao torcer..
E com
a idade, especialmente de 98
a 2000, vêm também as
movimentações atrás dessa paixão..
Ir de
Sorocaba a São Paulo tornou-se rotina.. mas pude também conhecer
outros palcos conhecidos..Como o (agora antigos) Maracanã e o Mineirão.. ambos por torneios internacionais..
Realmente,
muita novidade
para mim até então..
Especialmente,
a comoção de multidões apaixonadas..Tanto para seus deslocamentos espaciais..
Como os deslocamentos de suas personagens sociais..
Para, naqueles momentos, serem, 'apenas', Corinthianos e Corinthianas..
Mais
tarde moraria em São Paulo.. aí os estádios se tornaram meus
quintais..

'DALE, a torcida'
Em 2005, durante um período em Pernambuco, acompanhei o novo título, velho contestado..
Já
em 2007, quanto
sofrimento ele também poderia trazer.. mas acima disso, quanto
orgulho..
E até
por isso, no ano seguinte, acampei novamente em meus quintais..
Em
2009, então, nova provação.. me mudo para a Serra Gaúcha..
e,
por óbvio, seria, e continuo sendo, questionado por contestações
que fogem minha alçada..
E
digo,
até consegui comover algumas pessoas próximas, gaúchas ou não, em
2012..
Assistindo
a final continental.. Inicialmente, em sua maioria, torcendo contra..Mas como eu, que me alegrava ao ver a felicidade alheia, ao final, parabenizavam..
Porém,
como já disse, adoro uma discussão saudável e fervorosa.. e assim
tem sido..
Pois
não sou alienado para com a podridão que assola, predominantemente,
o futebol..
Não
gosto, repudio.. e o que estiver ao meu alcance para contestar
e mudar, farei..Seja nas instituições ou nas pessoas que as representam, dirigindo ou torcendo..
Assim
como não deixo me alienar de outros assuntos por conta do esporte..
E
tenho opinião formada a muitos assuntos que, 'dizem', não nos
interessar..
Mas
não nos venham tirar o direito de comemorar, sorrir ou chorar, pelas
nossas paixões..
'Eu, recém-nascido. Ele, ídolo. Sempre' (Foto: Irmo Celso)
Muito escrevi, e mais ainda deixei sem contar..
De preferência com o auxílio das pessoas envolvidas..
Mas
escrevi demais para chegar a
algumas rápidas observações..
Minha
Corinthianidade aflorou e continua estimulada pelo movimento..
Primeiramente,
pela percepção de que não precisaria ficar 'estagnado' a algo, se
aquilo não me representasse, encantasse.. podia
me movimentar..
Segundo,
pelos momentos de trocas, in
loco ou bem longe dele,
que as disputas propiciam..
Terceiro,
não para sustentar que o futebol não seja um ópio..
Mas
que se seus usuários tiverem educação, poderá não ser
prejudicial..Ao contrário, pode-lhes proporcionar belíssimos momentos de movimentos..
Dito
tudo isso, vamos discutir?!
