Devo confessar que minhas paixões são compartilhadas com ti, minha amante, amada..
Por preferir aproveitar intensamente cada relação, sigo amando-a.. Preferindo não esperar datas para expressar meus amores e sentimentos.. Vivenciando cada momento intensamente, apaixonado por ti.. Obrigado por cada momento de alegria e felicidade, que proporciona enquanto presente.. Obrigado e muita luz, felicidades pra nós.. Vida.. Espero que continuemos nessa intensa viagem..
Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são. Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo? Só a fraqueza extrema da imaginação justifica que se tenha que deslocar para sentir. "Qualquer estrada, esta mesma estrada de Entepfuhl, te levará até o fim do mundo". Mas o fim do mundo, desde que o mundo se consumou dando-lhe a volta, é o mesmo Entepfuhl de onde se partiu. Na realidade, o fim do mundo, como o princípio, é o nosso conceito do mundo. É em nós que as passagens têm paisagem. Por isso, se as imagino, as crio; se as crio, são; se são, vejo-as como às outras. Para quê viajar? Em Madrid, em Berlim, na Pérsia, na China, nos Pólos ambos, onde estaria eu senão em mim mesmo, e no tipo e género das minhas sensações? A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos. Bernardo Soares (Fernando Pessoa) em Livro do Desassossego
Para
lhes situar um pouco mais de onde piso, recorro a fragmentos dos
agradecimentos de minha dissertação, em que descrevo alguns
episódios que me instigaram a pensar sobre o tema da experiência em
movimento: ________________
'Movimentando-se' (Foto: Bernardo Ramos)
Penso
comigo que este trabalho não nasceu durante o processo de Mestrado,
mas muito antes, apesar de nele ter sido consumado. Por isso, para
ser justo com minha história, precisaria rememorar situações
anteriores que me fizeram pensar a respeito desse tema, quando
somente viajava. Mas já percebia quanto valioso era para mim cada
uma daquelas experiências.
Obviamente,
muitas viagens aconteceram, e muitas pessoas conheci ao longo delas,
mas tentarei resumir todas as outras em momentos que me foram
significativos, e duradouros, mas que sem as demais talvez nem
tivessem acontecido, por isso o agradecimento antecipado as pessoas e
lugares que se sentirem esquecidos.
Primeiro,
a minha vó
e
vô
maternos,
saudosos,
que
recebiam a mim e meus irmãos durante as férias de verão em
Tremembé, e que com o auxílio de meus tios, tias, primos e prima,
me mostravam que o mundo não era, somente, uma selva de pedras,
apesar de muitas ladeiras e árvores para se cair.
Segundo,
ao meu tio,
que desde esses tempos de finais de ano em Tremembé, alimentava
minha imaginação com histórias de sua vivência em terras
estrangeiras, fosse com as histórias que trazia nestas datas, como
com o desconhecido que eu imaginava e vislumbrava, mas só ele sabia
que vivenciava ao longo do correr dos anos.
Terceiro,
aos meus tios e padrinhos
que me possibilitaram, logo cedo, perceber a imensidão deste país,
e das culturas que ele carrega, levando meus primos, irmãos e eu,
numa aventura inigualável pelas estradas do Nordeste afora.
Quarto,
a minha família de intercâmbio, Davis,
e seus filhos, meus irmãos, que me receberam tão abertamente,
demonstrando que muito poderia aprender com outras culturas, mesmo
que essas não fossem pra mim um modelo, por, justamente, serem as
pessoas que as fazem, e não, somente, o contrário. E, além das
outras pessoas que por lá conheci, agradeço ao meu tio Bob,
que em sua baia de caminhão me apresentou metade daquele país.
Quinto,
ao Guilherme
e
Fernanda,
que numa curta, mas intensa viagem, me possibilitaram a perceber e
assumir a paixão pelo acaso e a imprevisibilidade que um
deslocamento pode suscitar.
Sexto,
as famílias Calixto
e Gomes
(família Coco Raízes
de Arcoverde),
que me receberam de braços e corações abertos, durante uma
experiência vivida em Pernambuco, e me mostraram quão simples e
espontânea pode ser a felicidade. São tantos, e tão
significativos, mas tento agradecê-los através de Seu Damião e
Lurdes Calixto (Painho
e Mainha),
Francisco (Tio
Assis)
Calixto; Cicero (Ciço)
Gomes; e alguns de seus progênitos, Ilma (Pecom)
e Iran
Calixto, e François
Gomes.
"Nada de maluco, era só sabedoria.."
'Família Raízes no Cordel'
Tudo
isso e mais um tanto que ficou de fora, como minha estadia em São
Paulo e Caxias do Sul, para estudos, ou outras viagens a lazer, não
seria possível sem a presença e suporte da minha família, que
agora dedico este espaço. [...]
Para
agradecer o Programa de Pós-Graduação, enfoco nas pessoas, pois
são elas que o faz ser o que é. Através do Mestrado, tive o prazer
e privilégio de conhecer muitas pessoas, e de todas elas, com maior
ou menor intensidade, concordando ou discordando, pude apreender e
crescer, pessoal e academicamente, fosse em sala de aula ou não. E
para elencar todas não teria memória ou espaço, então novamente
resumo a algumas, esperando que as outras pessoas não se sintam
menos importantes nesse meu processo. Mas para começar, como não
falar de Regina,
nossa angelical cicerone,
que desde os primeiros contatos (ainda de São Paulo), já
demonstrava ser essa pessoa carinhosa, solícita e amiga que
confirmou ser, aqui, pessoalmente.
Ressalto
também os professores que convivi no meu primeiro ano, ainda como
ouvinte, que são: Prof.
Rizzon,
que me acolheu como filho e me fez questionar sobre a psique, o Prof.
Brambatti
que em aulas individuais esforçava-se a me fazer compreender a base
sociológica, e a Prof.
Su Gastal,
que nesse primeiro ano, pacientemente, só me ouvia balbuciar, mas
que ao longo de todo o processo, além de me instigar a pensar a,
complexa, ciência contemporânea, tornou-se uma grande amiga, além
de mestra, e, hoje em dia, me ouve, talvez, até demais. E não
esquecendo todos os outros professores do Programa, agradeço a Prof.
Cappelano,
que com toda sua finesse,
lançou uma pergunta que até hoje tento responder: “E daí?!”
As
amizades e contribuições que afloraram com o corpo discente do
Programa são muitas e não tentarei exauri-las. Mas
aqui
representadas [...]
Como
disse no início, todas essas relações foram significativas dentro
do processo que vivenciei e que resume-se nesta dissertação. Mas
duas, aliás, três relações foram essenciais para que chegasse até
aqui: com meu orientador, o Prof.
Rafa Santos,
que como um irmão, e amigo, experiente, me conduziu com paciência,
respeito e sabedoria ao longo desta caminhada; com minha
co-orientadora, a Prof.
Lili Stanisçuaski,
quecom
seu espírito artista, contribuiu com sua vasta experiência de
contadora de histórias e exímia etnógrafa; e a saudável e
construtiva relação entre nós três. Sobre esses dois, não
consigo pensar em palavras que resumam minha admiração e gratidão.
[...]
________________
Alguns
nomes e trechos foram alterados ou suprimidos do texto original, como
podem perceber.. Mas por serem mais pessoais e não diretamente ligados ao propósito que
agora tentam cumprir.. de mostrar algumas inquietações pessoais a
respeito do tema, e que, provavelmente, estarão direta ou
indiretamente presentes em minhas narrativas aqui no espaço..
Ainda
sou novo neste ambiente, apesar de tê-lo estudado, então ainda não
imagino como se dará muita coisa por aqui, mas, e até por isso,
deixo canal aberto para sugestões, críticas, dúvidas ou qualquer
forma de relacionamento que seja saudável para ambas as partes..
Este blog é um
experimento.. mas não como num trabalho científico.. Experimenta falar de
viagens.. mas não somente espaciais, vulgo, turísticas..
Tentará abarcar momentos
de movimentos não somente desse blogueiro que escreve..
Como de outras pessoas
que estejam dispostas a compartilhar suas experiências..
Mas antes de continuar,
tentarei responder a pergunta que um grande amigo faria:
“De onde estou
pisando?!”
'Quebrando o gelo'
____________________
Donde piso?!
Sou
um turismólogo.. e, academicamente, me direcionei na pesquisa da
experiência turística..
Encarando
o turismo como um fenômeno
que desloca indivíduos de seu cotidiano espaço e tempo, e
possibilita momentos de estranhamento, de confrontamento dramático
entre seus conhecimentos prévios e a realidade a sua frente.. como
na vida..
Questionando
a compreensão
de uma experiência turística a partir de suas estruturas físicas e
fixas, sendo as personagens principais e cognoscentes de todo esse
processo, pessoas com suas próprias diretrizes significativas e
relações espaço-temporais diante das diferentes realidades que
experienciar, conforme suas próprias bagagens de vida..
Afinal,
somos
pessoas em movimento, em pensamento, geograficamente, socialmente
(presencialmente, ou não), seja através do tempo ou do espaço, e
assim nos formamos, nos identificamos, ou não, com as diferentes
situações que podemos nos defrontar através dessa
caminhada ao longo da vida, que como sugere Susana Gastal, seria a
nossa maior jornada, viagem..
Mas,
repito,
este não é um experimento científico, então tentarei não
dissertar a respeito..
E,
sim, encarar um novo momento de movimento na minha vida, de carregar
essa bagagem acadêmica adquirida, para um novo espaço de relações
e interações, a blogosfera..
Para,
assim, poder escapar da objetividade prática, partidarizada, que a
academia propõe, e discorrer sobre qualquer assunto que sinta
interesse, pessoal, subjetivo, inspiracional e/ou, até, objetivo,
sem ter que responder à alguma metodologia, logicamente, explicada e
reconhecida pelo campo científico..
Posso
até, vez ou outra, tentar 'dialogar' com a academia através deste
espaço, mas somente se o momento pedir ou propiciar um movimento
desse.. assim como a idéia central deste espaço.. de refletir sobre
momentos de movimentos, ou os movimentos que cada momento propicia..
As
pessoas que tiverem alguma inclinação em refletir sobre as
significâncias que uma experiência pode carregar, ou mesmo as que
não sentirem essa necessidade (para mim uma alegria) de reflexão,
sintam-se bem-vindas..